Terra Dura
- Periféricos

- há 1 dia
- 2 min de leitura

Sobre a Obra
Existem cenas que só acontecem em territórios periféricos. Cenas ricas como o ato de sentar na porta de casa, no domingo, para bater um papo; a reunião com a família para comer um churrasquinho; a parada numa barraquinha para comer um pastel com caldo de cana; o jogo de futebol com os amigos no fim da tarde. O cachorro vira-lata que descansa tranquilamente enquanto a vida acontece; a venda de frutas colhidas direto do pé. Sem falar das festas, não é? Se tem uma coisa que sabemos, é comemorar como ninguém.
A vida é feita desses detalhes que muitas vezes passam despercebidos, seja por conta da correria, da tecnologia ou até mesmo porque aprendemos que cenas ricas como as aqui registradas não são bonitas. No corre-corre, o cotidiano acaba negligenciado, e em lugares vistos como elite, essas cenas não têm espaço. Por não terem espaço na elite, não são consideradas como cultura.
Mas se pararmos para pensar no que seria cultura, veremos que a cultura é muita coisa: são expressões, modos de vida, formas de convivência, etc.. A periferia, por si só, respira cultura. Essas cenas são ricas e revelam a identidade territorial do povo trabalhador, hospitaleiro, acolhedor e feliz. Do povo que festeja, do povo que trabalha, do povo que dança, do povo que vive e não apenas sobrevive (como eles querem nos retratar).
O Lente Periférica surgiu justamente para mostrar essas vivências por outro ângulo. Nestes registros, Wandson Silva e eu (TatianeMacena) resolvemos registrar uma pequena parte do bairro Santa Maria, a Terra Dura. É apenas uma amostra; poderiam ser muitas outras imagens. Buscamos mostrar a cidade a partir dessa maneira periférica de ser do povo brasileiro. Estes são apenas alguns registros de muitos outros que virão.
Os autores

Tatiane Macena
Jornalista pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), e mestranda na mesma instituição. Mulher preta, periférica e fruto de escola pública, na reta final da graduação, sentiu a necessidade de desenvolver como trabalho de conclusão de curso uma "Cobertura alternativa para as periferias de Aracaju", com foco no bairro Santa Maria (seu lugar de pertencimento). Assim, fundou o Periféricos.

Wandson Silva
Amante dos animais e atento aos detalhes, costuma observar o que está em seu entorno. Sempre teve uma paixão pelo universo da fotografia. Em 2020, pegou pela primeira vez uma câmera e aprendeu o básico do seu funcionamento. Desde então, tem dedicado parte de seu tempo livre para capturar momentos especiais. Sempre contribuiu indiretamente para o Periféricos e, no final de 2025, ingressou oficialmente como colaborador. Possui uma sensibilidade única e gosta de expressar os sentimentos presentes em cada cena.
Texto: Tatiane Macena
Imagens: Wandson Silva e Tatiane Macena
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