QUEM SOMOS
No Periféricos, aqueles indivíduos que estão à margem da sociedade são protagonistas sociais e rompem limites. O sentido de romper limites não vem para fortalecer o discurso da meritocracia, mas para deixar claro que as pessoas periféricas não podem ser restritas a rótulos negativos.
Periféricos é um site independente, que acredita no jornalismo humanizado, no qual as pessoas têm não somente nomes e funções, mas também características e sentimentos, individuais e coletivos. Aqui, você encontrará histórias envolventes com uma narrativa subjetiva e diferente do jornalismo tradicional, que muitas vezes exclui pessoas que vivem uma realidade, para priorizar fontes oficiais ou especialistas que olham de fora.
Nossa história começa com a inquietação de uma estudante em relação ao tratamento que a sua comunidade recebia e recebe em veículos de comunicação locais. Eu, Tatiane Macena, sob orientação da professora Dra. Liliane Feitoza, sonhamos e tornamos realidade o Periféricos. Nascemos como projeto de conclusão do curso de jornalismo da Universidade Federal de Sergipe e pretendemos ficar. O nome do veículo é Perifericos porque não somos um, somos vários. O Periféricos é feito pela e para a comunidade, Além disso, pretendemos nos expandir; espalhar; multiplicar, romper limites.
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Um jornalismo de dentro para dentro e de dentro para fora
Equipe

Tatiane Macena
Fundadora e Gestora de Projetos
Jornalista pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), e mestranda na mesma instituição. Mulher preta, periférica e fruto de escola pública, na reta final da graduação, sentiu a necessidade de desenvolver como trabalho de conclusão de curso uma "Cobertura alternativa para as periferias de Aracaju", com foco no bairro Santa Maria (seu lugar de pertencimento). Assim, fundou o Periféricos.

Liliane Nascimento
Mentora e co-fundadora
Jornalista formada pela Universidade Federal de Sergipe, mestra e doutora em comunicação. Liliane é professora e pesquisadora e começou a estudar jornalismo e periferia no processo de construção do Periféricos. Antes desse estudo, a periferia foi local de reflexões, vivências e alegrias, principalmente na passagem pelas periferias de Olinda e Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco.
Viviane Silva
Editora-chefe e Repórter
Jornalista formada pela Universidade Federal de Sergipe, teve experiências como estagiária na TV UFS e em na área de Assessoria Parlamentar. Com raízes fincadas na zona rural da cidade de Lagarto, também foi moradora de bairro periférico. Suas vivências nesses espaços contribuíram para a escolha de fazer Jornalismo, pois, desde sempre, sentia a necessidade de fazer com que esses lugares fossem notados da maneira que eles são, respeitando suas particularides.

Maria Rafaela Ferreira
Editora adjunta e de mídias e artes
Graduanda em jornalismo pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Rafa é nascida e criada no interior da Bahia, lá em Inhambupe. Vinda de um família de mulheres, foi na periferia e na área rural que aprendeu a “subverter o que esperam de nós” e a traçar seu caminho contra-hegemónico dentro da comunicação.

Mateus Ferreira
Editor de site
Graduando em Jornalismo pela UFS, originário de Aracaju e criado em Rio Real/BA, o jovem LGBTQIAPN+ nunca viu sua cidade ser abordada pela mídia. Encontrou no jornalismo a oportunidade de explorar o universo queer. Entre suas principais produções estão a websérie documental "Yag City" e o fotolivro "Que Parada é essa", feito em parceria com o jornalista Amauri Lima.

Marina Evaristo
Cineasta
Graduanda em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Sergipe, tem experiência como social media, produtora executiva e realizadora audiovisual. É baiana de nascença, mas cresceu no interior sergipano, onde suas vivências periféricas a moldaram e a levaram a estudar o protagonismo negro, principalmente das mulheres negras periféricas, como fonte de resistência cultural e fonte de saberes ancestrais.

Ingrid Vitória Santana
Designer
Graduada em Design Gráfico pela Universidade Federal de Sergipe. Atualmente é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, na mesma instituição onde se graduou. Possui interesse em pesquisar sobre: Feminismos; Gênero; Sexualidade; Design e coletivos ativistas; Confluência entre Design e Antropologia e processos de descolonização de saberes. Ademais, é colaboradora da ONG Ações com Amor, atuando na função de social media.

Wandson Silva
Produtor colaborador
Amante dos animais e atento aos detalhes, costuma observar o que está em seu entorno. Sempre teve uma paixão pelo universo da fotografia. Em 2020, pegou pela primeira vez uma câmera e aprendeu o básico do seu funcionamento. Desde então, tem dedicado parte de seu tempo livre para capturar momentos especiais. Sempre contribuiu indiretamente para o Periféricos e, no final de 2025, ingressou oficialmente como colaborador. Possui uma sensibilidade única e gosta de expressar os sentimentos presentes em cada cena.

Calunga
Ilustrador
Calunga é artista visual e urbano há sete anos. Foi aluno do mestre Elias Santos, já expôs na CASACOR e no FASC, além de ter feito sua primeira exposição individual na Galeria Álvaro Santos, em 2025. Foi selecionado para representar o estado de Sergipe no Festival Internacional de Graffiti Pão e Tinta, em Recife, e realizou o painel de graffiti Terminal de Integração, aprovado na PNAB, pela FUNCAJU. Hoje é mestrando em Sociologia, no PPGS UFS, pesquisador de cultura negra periférica e integrante do coletivo de arte Araúna.

Ricardo Nascimento
Social media
Ricardo Nascimento é publicitário formado pela UFS e atua como freelancer na produção de conteúdos audiovisuais. Integrou a Secretaria de Comunicação do Governo de Sergipe, onde se destacou em campanhas de relevância social como o "Julho das Pretas 2024" e a minissérie “Aquilombando-SE”. Sua trajetória até então é marcada na construção de narrativas culturais, principalmente na construção de histórias de personalidades desconhecidas pelo grande público. Além disso, já fez parte do time de comunicação de grandes eventos, como o Festival de Artes de São Cristóvão, Pisa + Festival, Arraiá do Povo e a EGBÉ - Mostra de Cinema Negro, onde em todos foi marcado pela participação direta do público. No âmbito acadêmico, seu principal interesse está sendo a visibilidade de personalidades negras e indígenas no estado de Sergipe.
Parceiros

Editorial
Nasce o Periféricos, semente germinada na “terra dura”
A diversidade é fundamental para estabelecer um equilíbrio em uma sociedade de diferentes, pois é a partir dela que a inclusão e a pluralidade passam a ser discutidas e posteriormente colocadas em prática. No jornalismo, a diversidade deve se fazer presente durante todo o processo, mas essa responsabilidade encontra obstáculos, um deles é a existência de vozes que não são ouvidas.
Algumas vezes, vozes são ignoradas porque, na nossa sociedade, alguns sujeitos são considerados mais importantes e mais dotados de conhecimento do que outros. Outras vezes, vozes são ignoradas porque o jornalismo pode estar excessivamente distante delas. Como fazer jornalismo é uma atividade complexa, que busca abordar diversos temas relevantes com segurança, pluralidade e agilidade, a prática precisou consolidar modos de atuação que procuram garantir a eficiência. No entanto, o custo dessa eficiência pode ser um jornalismo que não inclui aqueles que estão fora dos lugares de privilégio.
Ao compreender que não existe apenas uma forma de fazer jornalismo e de buscar informações relevantes, seguras, plurais e, ainda assim, em equilíbrio com a agilidade do mundo, o Periféricos se apresenta como uma alternativa à mídia sergipana, que em sua maioria fala de um lugar hegemônico e central. O Periféricos se apresenta como um veículo jornalístico que deseja contribuir com o equilíbrio social apresentando a versão da periferia, muitas vezes ignorada.
O veículo que nasce é uma semente germinada em “terra dura”, regada com indignação, pela maneira que a imprensa sergipana pauta o Santa Maria e pelas desigualdades que comprometem esse povo, mas também com a fé de que outros caminhos são possíveis no meio jornalístico. Apesar da terra dura e da indignação, a expectativa é que os frutos dessa semente não sejam amargos, pelo menos não na sua totalidade.
O amargor pode ser necessário para não idealizar situações que precisam ser rejeitadas e combatidas, mas também há espaço para a doçura dos frutos maduros, nascidos das relações humanas, do senso de comunidade, da potência criativa, da arte, da sabedoria e da luta das periferias. O modo Periféricos de comunicar é feito de dentro para dentro (pois o veículo não está longe) e também de dentro para fora (para que a sociedade enxergue o nosso potencial e a imprensa não paute somente nossos problemas com superficialidade).
O Periféricos, para servir à comunidade e à sociedade, nasce tendo as questões da periferia na sua impressão digital. É preciso decidir o que pautar, com quem falar e como falar. Nós escolhemos pautar a periferia e também ter seus moradores como personagens centrais de nossas narrativas, sem excluir as subjetividades. Esse trabalho não parece impossível ou um sonho, sabemos que não é preciso “dar a voz” a ninguém, pois esses sujeitos, outrora ignorados pelo jornalismo tradicional, estão gritando há bastante tempo. Alguns com gritos mais expressivos a partir de movimentos sociais e outros em silêncio.
Nessa sociedade, onde a maioria da população tem um gravador e uma câmera na mão, é comum ignorar que fazer jornalismo não depende apenas do acesso à tecnologia. A desinformação e as informações superficiais e estereotipadas, inclusive sobre o bairro Santa Maria, são provas de que é preciso muito mais. Para o Periféricos, é necessário apuração rigorosa, pensamento crítico, compromisso com a transparência, com a pluralidade e a diversidade, mas também é preciso ativismo, é preciso tomar partido, quando o outro lado desrespeita a humanidade, as nossas vivências ou nosso modo de ser.

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