MEMÓRIA, PERTENCIMENTO E ENCONTRO
- Tatiane Macena

- há 1 dia
- 2 min de leitura
Junho se foi, o hexa ficou para depois. Mas, em 2027 a festa pode ser delas

O mês de junho acabou e algumas bandeiras ainda ocupam as ruas de Aracaju. O período junino é um dos mais aguardados no Nordeste. Em meio ao inverno, o calor das fogueiras aquece crianças, donas de casa, trabalhadores, estudantes e famílias inteiras. Há quem diga que é a melhor época do ano. Uns gostam das comidas típicas, outros gostam de dançar aquele forró agarradinho. O São João é um respiro em meio ao corre-corre do dia a dia.
Sergipe é o país do forró?! Já diria a canção de Rogério, que meio que virou um hino aqui em nosso estado. Bem, há quem diga que é o lugar do arrocha(Os dois têm lá suas semelhanças). Quem sou eu para discordar? Eu diria que é dos dois. O que todo mundo concorda é que aqui é um lugar de afeto, de cultura e de pertencimento.
Falando em pertencimento, este ano, uma Copa do Mundo aconteceu na mesma época do São João. Dessa vez, nos unimos não só para celebrar a nossa cultura, mas também para torcer pela nossa seleção. Ruas pintadas, camisas da seleção e bandeirinhas verdes e amarelas para tudo que é lado... Infelizmente, perdemos antes do que esperávamos.
É triste, eu sei. Mas não podemos esquecer o que a Copa nos despertou: o sentimento de pertencimento e a mobilização coletiva. As ruas viraram cenário de encontros, comemorações e esperança. Um exemplo real de direito à cidade. Com a derrota vieram as lágrimas, as provocações entre amigos e a frustração de um sonho adiado. Mas nem tudo está perdido! Daqui a menos de um ano, a Copa feminina acontece no Brasil. Em 2027, a Copa do Mundo será delas.
Que nossos corações voltem a arder como a fogueira no São João, que esse ano aconteceu em meio a copa. Que as nossas esperanças se renovem e possamos lotar os estádios, as ruas e as praças para fazer o nosso coração queimar outra vez. O hexa não veio desta vez, mas teremos a chance de ver as Brabas brilhando em casa.
Que a gente “chore no começo para sorrir no fim”. Essa é a oportunidade do Brasil mostrar que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive no gramado.
Seja daqui a poucos meses, quando veremos nossas meninas jogarem, seja daqui a quatro anos, quando uma nova geração de garotos nos fizer voltar a acreditar novamente no hexa e nos lembrar de que brasileiro não desiste nunca.
Que, quando a próxima Copa voltar a colorir o país, mais uma camada de tinta seja usada para decorar as ruas e nos fazer lembrar que, no Brasil, a esperança sempre encontra um jeito de voltar. E que a festa seja do jeito que a gente sabe fazer.
Por Tatiane Macena
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