top of page

Coletivo ArteExpressão promove encontros e espalha cores e arte no quilombo urbano da Maloca

O Coletivo ocupou o quilombo urbano com arte, música e encontros que reafirmam a potência dos territórios periféricos. (foto: Tatiane Macena)
O Coletivo ocupou o quilombo urbano com arte, música e encontros que reafirmam a potência dos territórios periféricos. (foto: Tatiane Macena)

Cores, alegria, cultura e sorrisos. Foi isso que o coletivo ArteExpressão espalhou pela Maloca na última edição do projeto “Colorindo as Comunidades”. Realizado em outubro, o evento ocupou a Maloca, um quilombo urbano que é reconhecido pela Fundação Cultural Palmares (FCP) desde 2007. A programação se estendeu por dois dias e contou com apresentações do Descidão dos Quilombolas, do mestre Saci, do DJ Grau, do Coletivo Cidade e dos rappers NDS Hiata e Jbethoven. A Maloca se afirma como símbolo de resistência e continuidade histórica, e o ArteExpressão reforça essa mesma lógica ao desenvolver suas ações nos territórios periféricos.


O coletivo atua diretamente nas ruas, becos e vielas das comunidades e, desta vez, levou suas atividades para a Maloca com o objetivo de aproximar gerações, fortalecer vínculos entre moradores e dialogar, sobretudo, com as crianças, um dos públicos centrais do coletivo. A base do grupo é o Jardim Centenário, que está lozalizado na Zona Norte da capital sergipana, onde surgiu a ideia de criar um espaço capaz de levar cultura, arte e informação para os moradores. O objetivo inicial era fortalecer o território de origem para, a partir dele, expandir as ações para outras regiões. Para os integrantes, crescer em outros lugares só é possível quando há reconhecimento e pertencimento dentro da própria comunidade.


O bairro Jardim Centenário, assim como em tantas outras periferias, costuma ser estigmatizado pela cobertura midiática. Uma das lideranças do grupo, Luana Santos, conhecida como Lua, observa que o local geralmente aparece na mídia apenas associado à violência ou a acontecimentos negativos. Segundo ela, o coletivo surgiu justamente para desmistificar essa imagem, estimulando novos olhares sobre o bairro e fortalecendo o senso de pertencimento entre os moradores. Para o grupo, era fundamental que a comunidade se reconhecesse como dona do seu território e como produtora de experiências positivas.


A Arte Expressão nasceu da necessidade de expressar, ocupar e ressignificar espaços urbanos que, muitas vezes, são esquecidos pelo poder público e pela sociedade. (foto: Tatiane Macena)
A Arte Expressão nasceu da necessidade de expressar, ocupar e ressignificar espaços urbanos que, muitas vezes, são esquecidos pelo poder público e pela sociedade. (foto: Tatiane Macena)

Nesse processo, o grafite se consolidou como uma ferramenta potente de mobilização afetiva, transformação dos espaços e reorganização das percepções sobre o território. Lua explica que, por meio da arte urbana, o coletivo consegue transmitir informações, revitalizar ambientes e provocar pequenos deslocamentos simbólicos que abrem espaço para outras formas de convivência. Foi assim que surgiu o projeto “Colorindo as Comunidades”, iniciado no Jardim Centenário e que, em 2025, chegou à Maloca, em uma expansão simbólica celebrada pelos integrantes.


Entre os participantes do evento estava Cleverson, conhecido no grafite como Preto, integrante do coletivo Socorreria, de Nossa Senhora do Socorro. Convidado para participar da ação, ele aproveitou a ocasião para levar a filha de oito anos, que desde cedo tem contato com o spray e a sobrinha. Cleverson conta que costuma incentivá-la, assim como a sobrinha, a experimentar a pintura e a arte urbana. “A arte funciona como uma forma de expressão que permite às crianças comunicar sentimentos, desenvolver a criatividade e conquistar autonomia. Sempre que possível, as envolvo em atividades de pintura, seja em telas ou em muros”, afirma.


O coletivo ArteExpressão é formado majoritariamente por pessoas negras e LGBTQIAPN+, reunindo integrantes de bairros como Santa Maria, Marivan, Aeroporto, Soledade e São Cristóvão. Essa diversidade de vivências e trajetórias sustenta a visão de que a cultura pode atuar como ferramenta de revitalização e transformação social. Um dos focos centrais do coletivo são as crianças, vistas como sementes e potências transformadoras do presente e do futuro. 


Ao estimular o contato com a arte desde cedo, o grupo aposta na construção de novas perspectivas e na formação de sujeitos mais conscientes de seu território e de suas possibilidades. (foto: Tatiane Macena)
Ao estimular o contato com a arte desde cedo, o grupo aposta na construção de novas perspectivas e na formação de sujeitos mais conscientes de seu território e de suas possibilidades. (foto: Tatiane Macena)

Entre as crianças presentes estava Isaac Santos de Souza, de 10 anos, morador da Maloca. Ele realizou seu primeiro grafite durante o evento e contou que ficou muito feliz com o resultado. Isaac relata que sempre teve vontade de grafitar e se encantava com as pinturas espalhadas pela cidade. No dia da ação, pediu autorização a uma das participantes para pintar junto com ela e teve sua primeira experiência com o spray. 


Morador da Maloca, Isaac afirma que essa experiência o motivou a produzir outras obras no futuro. (Foto: Tatiane Macena)
Morador da Maloca, Isaac afirma que essa experiência o motivou a produzir outras obras no futuro. (Foto: Tatiane Macena)

Por: Tatiane Macena


Importante:

Nós não recebemos verbas de governos. A nossa sobrevivência depende exclusivamente do apoio daqueles que acreditam no jornalismo independente e hiperlocal. Se você tem condições e gosta do nosso conteúdo, contribua com o valor que puder.



Comentários


PERI_FÉRICOS__8_-removebg-preview.png

Nosso jornalismo é feito de dentro para dentro e dentro para fora. Aqui, as pessoas têm não somente nomes e funções, mas também características e sentimentos, individuais e coletivos. Mande a sua sugestão de pauta para perifericosjornalismo@gmail.com

bottom of page